Monday, 18 August 2014

A beleza está nos olhos de quem vê

Às vezes eu escrevo umas coisas e arquivo em algum lugar no computador e penso comigo…porque alguém iria querer ler isso? Mas ai eu li esse post inspirador de um blog que eu conheci e me apaixonei recentemente (Samba da Criola Doida)  e eu comecei a pensar, por que não? 

Plus hoje eu estou num dos meus moods and I dont give a damn.  Então hoje eu vou falar de beleza mas no meu ponto de vista. No ponto de vista do patinho-feio. Toda vez que eu abro as notícias do Brasil tem uma mulher com a bunda de fora ou esfregando a bunda na sua cara. Não e à toa que mulher brasileira leva nome de burra! E de vulgar.

Aonde já se viu achar que Paparazzo e sair na Playboy e um passo adiante na carreira!? Gente aonde as coisas foram parar? É essa porcaria que faz adolescentes nunca se sentirem felizes. Confiantes de que cada um tem sua própria beleza.

Ninguém diz para essas adolescentes que não há muitas super-models no mundo. É uma por país gente! E as que existem trabalham até os 40 anos porque encontrar beleza nos níveis de Naomi Campbell, Linda Evangelista, Gisele Buntchen não se acha em toda esquina.


O outro extremo e essa padronização de peito-bunda-de-mulher-marombada que empestiou o Brasil. Eu já achava o fim do mundo no Brasil, hoje quando eu vejo daqui eu fico com vergonha. Mulher brasileira ser reduzida a isso. Graciosidade, feminiliadade, delicadeza essas são as coisas que fazem uma mulher bonita (e inteligência, pelo amor de Deus) !!  O Vinícius de Morais não escreveu Garota de Ipanema para uma mulher musculosa, com voz grossa parecida com um homem! Sem dizer no mal que essa cultura propaga!

Olha o tamanho do biquini?! Linda do mesmo jeito e sem vulgaridade
Os standards que nunca podem ser alcançados! Sofrimento, falta de auto-estima e inveja das afortunadas que podem pagar cirurgia plástica aos 16 anos! Fala sério, gente.

Eu ia incluir uma imagem das mulheres frutas da vida mas eu decidi que NAO! 

Minha experiência com beleza sempre foi a de muito conflito. Na minha adolescência meu tempo era dividido em estudar, trabalhar (comecei cedo!) e me achar feia. Eu cresci numa família de classe média e o focus de todo orçamento familiar era dirigido para minha educação e a dos meus irmãos (que valeu a pena).

Então crescendo,  indo para escola e depois para faculdade onde era um verdadeiro Patricinha World, cheio de meninas lindas, com mães com tempo e muito din-din...tendo tudo que eu não podia comprar ( ou podia, mas na versão mais barata)  não foi algo muito fácil para mim. Enquanto a minha irmã era popular na escola, com milhões de amigos e com aquela abilidade unica de se connectar com qualquer pessoa.

Eu era o oposto. Em tudo. Eu fui bullied na escola. Meus pais foram ótimos mas também muito críticos, uns dos meus irmãos ajudou a destruir a auto-estima com apelidos que eu não vou repetir aqui e nunca mais. Talvez, hoje eu vejo isso, não tenha sido somente a minha aparência (redonda, cabelo bozo, big nose e espinhas!) que fazia as pessoas me acharem feia, ou que afastava as pessoas de mim ( pelo menos até chegar a adolescência aí eram as duas coisas). 

Let me see... eu não falo alto, eu não sou afetada, não gosto de aparecer, eu não sou do grupo, eu sou mais “um-a-um” tipo de pessoa. Eu não sou filhinha de papai nem de mamãe, nunca fui. Eu falo o que eu penso, sou extremamente independente, eu odeio racismo, machismo, eu detesto preconceito - não gosto nem de ficar perto de gente assim - eu não dou jeitinho. 

No meio disso tudo...tanta confusão, conflito interior e criticismo... eu me lembrava da estória do patinho feio, como uma forma de me consolar e pensar “um dia vai chegar a minha vez”, “um dia meu cabelo vai ficar bonito”, “um dia eu serei mais magra”, “um dia eu vou consertar meu nariz”.


Todo mundo conhece...o conto infantil escrito em 1844, pelo dinamarquês Hans Christian Andersen conta a estória de um patinho que nasceu diferente. Tão diferente que nem a mãe dele quis ele por perto. Tão diferente que ele foi ofendido e maltratado por todos os outros patinhos da lagoa.  Um dia, uma família de camponeses deu abrigo para esse patinho e o ajudou a protegê-lo do inverno. Quando a Primavera chegou o patinho havia se transformado num cisne mas nem ele sabia. Ele estava tão acostumado a se ver feio que ele não notou a sua própria transformação.

Em termos de beleza física essa parece ser a estória da minha vida, com a diferença que o meu inverno demorou alguns bons anos para passar e eu não encontrei camponeses para me ajudar eu tive que me resolver sozinha mesmo, dentro da minha cabeça. Eu discreditei beleza como source de felicidade e satisfação e passei a ver isso como o que é... individual e efêmera.


Mas quando eu cheguei a esse ponto eu já estava nos middle para late twenties mais ou menos na mesma época que eu me mudei para Londres. Longe de tudo e de todo mundo, sem a pressão de ser magra, bonita, perfeita, corpo de praia e de biquíni eu consegui me olhar no espelho e ver a minha beleza como ela é. E me aceitar .

Meu nariz é grande, meus olhos são grandes, minha orelhas são meio de abano (mas agora o cabelo esconde!!!) e eu tenho culote e celulite. So what?! Eu comecei a usar maquiagem sem medo dos comentários “mas você tá indo para uma festa?” - e hoje eu coloco maquiagem ate para ir ao supermercado. Não saio de casa sem. Eu perdi peso (12 kilos) sem pressão de mulher na televisão e novela vendendo a idéia que eu preciso ter isso e aquilo e mais aquilo para ser bonita. Eu entendi que eu não serei bonita só quando eu fizer a lipo, colocar silicone ou fazer plástica no meu nariz. Eu só preciso ser quem eu sou. Hoje. Agora.

Na verdade nao foi o fato de eu estar aqui que mudaram as coisas. Talvez eu tenha cansado de ouvir a ladainha dos outros e de ter descoberto que a mudanca deve sempre comecar em mim mesma.

Eu nao sou e nunca serei o cisne mais bonito do lago (nem eu nunca tive essa pretensao!) mas isso nao significa que a minha Primavera nao tenha chegado. Ela veio com a paz de me aceitar, de ouvir um elogio e nao pensar que a pessoa esta gozando da minha cara e de me olhar no espelho e ver que o meu nariz e olhos grandes sao heranca do meu pai, e o corpo pera vem da minha mae. And all that is just okay. 

No momento que eu me aceitei, as pessoas passaram a me aceitar tambem. And that's very nice. Very nice indeed. 

Eu e o meu nariz: The Happy Ending!

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