Wednesday, 24 September 2014

Aqui no lado negro da força…

Life feels like this… 



Às vezes eu me pergunto se Deus realmente existe. Não, eu no sou atéia, ou agnóstica. Eu faço parte daqueles que acreditam... pelo menos a maior parte do tempo…

Mas como manter a fé em meio a tanta injustiça, desigualdade e canalhice? Anos atrás quando eu levava esses questionamentos à minha mãe, ela me explicava que o mal não compensa, porque por detrás das aparências pessoas más são seres humanos tristes,  infelizes  e que lá no fundo eles não têm algo que a as pessoas do lado bom tem: paz de espírito.

Well... essa explicação não me convence mais. Pelo contrário cada vez mais... eu me pego fazendo a mesma pergunta: existe mesmo uma força superior controlando as coisas e me protegendo de todo mal?

Na minha vida e andanças por aí eu vejo (vi) e às vezes sinto (e senti) na pele essas coisas feias: desigualdade, sexismo, desvalorização do meu tempo, trabalho, amizade, carinho e falta de reconhecimento para pessoas que dão tudo de si. Então eu penso cá com os meus botões se todo o esforco, perseverança, dedicação e cometimento à carreira, estudos e a ser uma pessoa honesta não são mesmo pura perca de tempo. Ninguém vê isso, ninguém quer saber. 

O mundo é mesmo dos espertos, dos que dão jeitinho, dos que mentem para o chefe, que fazem sacanagem para conseguir a promoção, dos que mascaram dados no excel, dos que pretendem, dos que não tem consideração nenhuma por ninguém. O mundo é dos previlegiados, dos que nasceram em berço de ouro, dos que têm connections...e talvez o mais dificil de reconhecer – para mulheres inteligentes como nós – o mundo é sim dos homens.

Eu sempre fui uma idealista. Sempre me agarrei a idéia de que eu não preciso de “pistolão” porque eu tinha o maior de todos: DEUS. Mas será que eu O tenho mesmo? Será que Ele é um tantinho meu também? Ou não será a minha vida um monte de coincidências  e um pouco de sorte que me levaram a seguir em frente e a chegar aonde eu cheguei?  Ou tudo que eu fiz foi mesmo devido ao meu esforço próprio sem nenhuma interferência divina. O acaso, será que ele não existe mesmo?

Se a resposta é não, por que é que eu não sinto que a batalha is over? Porque eu preciso fazer mais, ir adiante? Insistir, lutar mais? Eu não vejo gente canalha insistindo e persistindo, eu os vejo se dando bem, NOW!

Como acreditar num Deus, ou numa força superior que não faz nada? Que assisti a tudo isso? Mas como eu vou pedir Dele uma prova concreta se fé é examente acreditar naquilo que não se vê? Eu leio a Bíblia, o Velho Testamento, e eu espero ver aquele Deus de vingança. Yes. I do! O Deus que vai pisar naqueles que pisam nos outros e em mim. Mas eu não vejo nada disso.

O que eu vejo são pessoas perversas sendo mais perversas ainda, à luz do dia, às claras.  Eu vejo tudo isso e não há nada que eu possa fazer, nada que possa fazer que vá mudar coisa nenhuma, nem um centímetro sequer de como as coisas são.

Não há nada que eu diga, ou prove com meu currículo recheado de adjetivos e qualificações, ou a seriedade em que trato meus affairs, ou o fato de ter o direito de viver aqui que vá mudar a percepção de um chefe machista, um xenófobo, ou de uma pessoa cheia de preconceitos ou má mesmo em relação a mim ou a ninguem em situação semelhante.

Tantas e tantas vezes eu paro para pensar isso e não encontro resposta. Eu acredito ser uma pessoa esclarecida, eu não acredito em fé no sentido meramente religioso – fé para mim é e sempre foi um conceito muito mais orgânico....o combustível para ser melhor, fazer melhor, provar que eu também posso, que aquele “besta, filhinho de papai esta errado“, que eu vou chegar em algum lugar apesar de tudo estar contra mim e as minhas chances serem mínimas...

Mas ainda assim e apesar disso, há momentos como esse agora...escrevendo isso depois de tanta reflexão e reviravolta interior...em que me sinto completamente órfã. E eu penso e re-penso (eu acho que essa palavra nao existe) se tudo que eu acredito ou pelo menos acreditei até agora talvez seja na verdade uma pilha de mentiras e o melhor a fazer é jogar a toalha do ringue e desistir. Tenho eu que aceitar as coisas como elas são? As coisas são realmente assim? Tenho eu que me tornar uma canalha, cheia de mim mesma, metida, antipática, tiradora de onda, sem educação, mentirosa, malidicente, trapaceira para acelerar o processo de chegar lá? E os maus, serão eles punidos um dia? 

Oh meu Deus, cade voce? Devo eu parar de remar contra a corrente?

Me desculpe trazer essas coisas para vocês...eu nunca escrevi um post triste... mas minha vida não é perfeita...eu às vezes eu visito o lado negro da força também...mas eu pensei que talvez... talvez escrevendo para o desconhecido...talvez alguém tenha uma resposta para mim... e talvez esse texto, meio mal escrito...seja aquela luz no fim do túnel que não me deixa desistir...talvez seja Ele, o Todo Poderoso  - talvez seja Ele dizendo para mim que Ele existe mesmo...



2 comments:

  1. Ainda hoje fiz a mesma pergunta: "Deus? Você tá aí ainda?" Mas com uma sensação de "já é tarde demais para isso". Eu também sempre acreditei em Deus como algo maior (minha família é católica e acho linda a fé dos meus pais), mas a medida que vou vivendo sinto cada vez mais que se não fizermos a nossa parte nunca vamos chegar a lugar algum...Acho difícil colocar em palavras, mas às vezes também me sinto um pouco "órfã" nesse sentido...Mas acho também que tudo é fase e o que me faz continuar é o pensamento de que "Um dia vou dar risada disso" sabe, de passar por cima dos problemas que um dia se tornarão pequenos quando lembrarmos deles e já tivermos superado...E tenho certeza que tudo o que passamos nos deixa melhor, mais forte...Também sofro muito às vezes por pensar em todas as minhas frustrações, e olhar para os filhinhos de papai que sempre reclamam de tudo e que conseguiram tudo que eu sempre sonhei da forma mais fácil, e isso também me faz lembrar de como é bom o gosto da vitória, mesmo que ela pareça pequena para os outros, mas só nossas mãos e pés sabem como doem ser calejados pelo esforço da luta e da caminhada...E desculpe o texto em forma de comentário, mas ainda tenho que falar que hoje mesmo precisei do carro do meu pai emprestado (ele sempre empresta para meus dois irmãos - até desconfio que um deles tenha vomitado no carro por ter usado bêbado) e ele não me emprestou , porque eu sou mulher...Claro que ele não falou assim, disse que não dava para eu usar porque o carro estava com umas "manhas" que um cara bêbado pode lidar, mas eu às 08:00 da manhã não. Enfim...comentário-desabafo para um post-desabafo rsrs

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    1. Hey, Camila...acho que todos nos temos momentos assim, de querer desistir de nao ver muito motivo para seguir em frente, mas como voce mesma disse isso e uma fase. Passa. Depois de refletir muito no que escrevi e ate pensar em tirar esse post eu cheguei a conclusao que eu preciso seguir acreditando...nos piores momentos da minha vida em que eu precisava de um milagre mesmo...o Todo Poderoso, as forcas do bem nunca me abandonaram. Nunca. Eu ate me senti um pouco ingrata por escrever isso... mas e tanta sordidez que as vezes ninguem aguenta! No fundo acredito que eu, vc e todo mundo possa fazer diferenca ainda que seja minima. Obrigada por escrever, e nao se desculpe, desabafe mesmo...e bom...tira o peso do coracao...e a casa aqui e nossa...eu ja me senti melhor so de dividir isso... Bjs

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