Wednesday, 25 March 2015

Hemingway e Adeus às Armas

"In the late summer of that year we lived in a house in a village that looked across the river and the plain to the mountains… com essa abertura nem parece ser um livro ambientado na Primeira Guerra Mundial. Esse talvez seja um dos livros mais conhecidos do Hemingway; o autor Americano que marcou indelevelmente a prosa do século XX.
Adeus às Armas é um romance semi-autobiográfico escrito por Ernest Hemingway, publicado pela primeira vez em 1929. O romance é contado através do ponto de vista do tenente Frederic Henry, um rapaz Americano servindo de motorista de ambulância no exército italiano durante a Primeira Guerra Mundial I. O título é tirado de um poema de século XVI do dramaturgo Inglês George Peele, aqui.
Um dos traços marcantes da escrita hemingwayana é o estilo metálico de prosa. Ele escreve sem fazer muito esforço, descrevendo aquilo que ele vê e sente, e sem blá blá.

Esse foi o terceiro livro do Hemingway que li e, uma marco interessante dele é que ele escreve e descreve triviliadades do universo masculino: homen que bebe até cair e bebe toda hora, tem sexo com prostitutas, têm mulher em casa com filhos e amante na rua, do prazer de fumar, de ser o Don Juan, de jogo de bilhar, e nos cavalos, de dar sempre gorjeta, do homem protetor, de matar por honra, e sem honra, de camaradagem e daquele senso de unidade - de clube do Bolinha mesmo - que somente os homens têm. Aquele código de ajuda recíproca, “de não esqueço aquele favor que ele me fez” que somente homem entende.

Na minha opinião esse é um livro escrito por um homen que entendia o que ser uma homen significa; e que podia colocar essa masculidade no papel sem ofender, sem ser piegas, sem cair no abismo do machismo e ignorância. E com isso ele criou um estilo único de prosa.

Até o amor descrito por ele é másculo, a escolha de certas palavras para descrever um encontro romântico, a contrariedade entre estar num hotel (que normalmente e o cenário de encontros furtivos) e sentir-se em casa, em sentir-se sozinho mesmo acompanhado, as várias formas em que ele re-afirma Catherine sendo diferente das outras mulheres, a constatação que encontros amorosos sao efêmeros e curtos (noite/dia), e que para amar precisa-se de coragem porque o amor também como todas as outras coisas sao transitórias e chegam ao fim mas ainda que esse seja o desfecho inevitável acontece “special hurry” ( como ele parece sugerir ser o caso dele com a Catherine).
That night at the hotel, in our room with the long empty hall outside and our shoes outside the door, a thick carpet on the floor of the room, outside the windows the rain falling and in the room light and pleasant and cheerful, then the light out and it exciting with smooth sheets and the bed comfortable, feeling that we had come home, feeling no longer alone, waking in the night to find the other there, and not gone away, all other things were unreal. We slept when were tired and if we woke the other one woke too so one was not alone.
Often a man wishes to be alone and a girl wishes to be alone too and if they love each other they are jealous of that in each other, but I can truly say we never felt like that. We could feel alone when we were together, alone against the others. It has only happened to me like this once. I have been alone while I was with many girls and that is the way you can be most lonely. But we were never lonely and never afraid when we were together. I know that the night is not the same as the day: that all things are different, that the things of the night cannot be explained in the day, because they do not then exist, and the night can be a dreadful time for lonely people once their loneliness has started. But with Catherine there was almost no difference in the night except that it was an even better time. If people bring so much courage to this world (,) the word has to kill them to break them, so of course it kills them. The world breaks everyone and afterward many are strong at the broken places. But those that will not break it kills. It kills the very good and the very gentle and the very brave impartially. if you are none of these you can be sure it will kill you too but there will be no special hurry.  (pagina 222 - A Farewell to Arms, Editora Arrow Books)
A leitura dele é catársica, te limpa daquilo que é supérfluo. E o efeito da prosa ao meu ver reinforça a mensagem do livro: a certeza que tudo é passageiro. Que guerra, amor, amizade são resultado de circunstâncias, do acaso. De que tudo isso é efêmero. Na vida real não há grandes encontros, como a de Jane Eyre and Mr. Rochester; na verdade as pessoas se unem por necessidade, às vezes para tapar buracos emocionais como por exemplo o encontro entre Henry e Catherine – ele queria uma distração da guerra e ela queria esquecer o noivo morto em batalha.

Os diálogos são simples e sem longas explicaçöes de sentimentos, tempo ou lugar. Muita coisa é sugerida, deixada “no ar”… de alguma maneira a prosa dele fortalece a verossimilhança da estória. Os diálogos, as personagens falam como pessoas do mundo real e com isso emprestam a idéia de que o conto dele é plausivel, verdadeiro, se ele contasse essa estória num bar provavelemnete as pessoas acreditariam.

Adeus às Armas e sem dúvida um livro que eu não irei esquecer. Não pela originalidade da estória (porque estórias de amor são estórias de amor) ou pelo fato de ser ambientado durante uma guerra (porque em todas estórias de guerra alguem explode ou é morto!).  Não esquecerei esse livro porque ele é diferente e porque Hemingway prova que simplicidade também ganha Prêmio Nobel de Literatura.  
xx

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