Thursday, 16 April 2015

Reminiscências Portuguesas

Acho que foi o Eça que me inspirou a olhar essas fotos da minha visita à Lisboa em 2013. Minha primeira viagem pós-Mestrado e escolhi Portugal por motivos específicos e bem egoístas: a possibilidade de falar Português; poder comer comidas tão familiares a mim (estava me mordendo por uma feijoada autêntica e sem me custar os olhos da cara), ouvir músicas melancólicas no rádio, tomar um Porto depois do almoço, poder sentar numa padaria e tomar um cafezinho no fim da tarde - como fazemos no Brasil – irresistível? Oh yes!

Ficamos em Estoril (ou “no Estoril” e com a pronúncia Estúril e não Estôril como falamos no Português do Brasil -  adoro perceber essas pequenas diferenças) no Hotel Sabóia; chegamos na noite de Natal depois de uma jornada épica que se iniciou com vôo cancelado e caos no Gatwick de Londres e terminou numa recepção calorosa no lobby to hotel: dividimos um taçinha de Porto para esquentar as pernas cansadas de tanto “pega mala e muda de avião-ônibus-trem – digo avião/auto-carro/comboio.

Essa não foi uma viagem de exploração turística, não fomos à Torre do Tombo fizemos o básico., ou talvez ate menos que o básico para turistas de primeira viagem. Queríamos ficar quietos e aproveitar as tardes quentinhas com andanças por Caiscais, Estoril e Lisboa meio que sem eira nem beira. Só fizemos um esforço extra para ir à Sintra porque este sempre foi um sonho meu nascido na leitura das linhas de Os Maias.
 "De resto, meu filho, continuou o Alencar, tudo em Sintra é divino. 
Não há cantinho que não se um poema...
Para ir a Sintra alugamos um carro. Nevoeiro e chuva, estrada difícil  eu de co-pilota com o marido a rosnar de raiva e apreensão por não poder ler as placas. Subimos ao Pena, andamos e no final assim como o Cruges esquecemos das queijadas!

" O break parara, todos os olhavam suspensos;
 e no vasto silencio da charneca, sob a paz do luar, Cruges, sucumbido, exclamou: 
- Esqueceram-me as queijadas!" Os Maias por Eça de Queiroz
Em Lisboa senti-me como que entrando num poema do Pessoa. A Lisboa que ele se refere em tantos poemas; que descreve com tanta minúcia e delicadeza. E não sei porque mas olhando para aquele mar subiu-me uma vontade enorme de chorar, de agradecer a Deus por estar ali, por existir. Exploramos, conhecemos, nos fartamos de comida Portuguesa.

Andamos por ali pelo Chiado, fui cheirar uns livros na livraria cheia de livros em Português :) pegamos o bondinho e subimos até a Catedral Estrela. O bondinho me fez lembrar do Rio de Janeiro e do meu pai. Ele nunca visitou a Europa mas nas poucas vezes em que ele manisfestou um desejo de conhecer algum lugar ele me disse que gostaria de ir a Lisboa. Ele queria ver “como é aquilo lá” – ele dizia. E se ele tivesse visto o centro de Lisboa ele provavelmente teria se sentido em casa, no Rio de Janeiro que ele cresceu.

Eu sempre ouvi que Brasileiros têm má fama em Portugal: os imigrantes que lhes tiram o emprego, o Português com sotaque que lhes fazem rir. Não sei se é verdade mas eu nunca senti-me desconfortável lá. O que eu senti mesmo em Lisboa foi uma nostalgia lânguida e uma sensação permanente de dejá-vú. Como se eu conhecesse aquelas ruas, gentes e como se o jeito de viver deles estivessem de alguma forma imprimidos no meu DNA. Acho que é uma dessas coisas que acontecem e que não sabemos explicar porquê.
Engraçado que estou escrevendo isso aqui... pois em breve estarei lá prestando Lisboa outra visita. 
Revitalizar as lembranças boas que levei e cultivar outras tantas. 
E te deixo aí com um pôr de sol lisboeta...
xx


4 comments:

  1. :) :) :) :) Obrigada por teres trazido um pouquinho de Portugal até mim, e sobretudo da minha cidade Natal, Lisboa!!!!! Aiiii que saudades!!! Lisboa, Cascais, Estoril, Sintraaaaa... é tudo como descreveste mesmo! :) Bem poderia ter sido um local inventado num livro!:) Mas as queijadas de Sintra são simplesmente.... IMPERDIVEIS!!!!!!! Só por isso tinhas de voltar mesmo!! ;) ahahah Quando vais voltar?? Emocionei-me na parte que escreves que ao olhares o mar sentiste a vontade de chorar e agradecer a Deus o facto de estares ali naquele lugar.... pois é isso mesmo! Como eu sinto a falta daquele rio!!!!!!!!! :(
    Em relação à questão "português - brasileiro" sinceramente eu acho que é mais conversa do que outra coisa!! :P ahahah Nunca senti que o português não aceitasse o brasileiro, afinal de contas nós crescemos com vocês com as vossas telenovelas!!:D ahahah A sério, acho mesmo que é aquela onda de falar por falar, mas nunca sentir de verdade! ;) Olha é um pouco a onda da minha conversa no blog da relação aos brasileiros!! ;) ahahaha No fim tudo boa onda mesmo!! ;)... Ahhh!! Faltou uma coisa... não me digas que foste a Lisboa e não comeste um Pastel de Nata!!!! :P
    Beijo ou beijinhos como portuguesa que sou! ;) lolol
    Bom fim de semana e boas leituras!! :)

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    1. Olá Luísa! Volto em Julho para uma visitinha rápida com a minha irmã que vem cá me ver. Mas dessa vez vou reparar o erro de não ter ido à antiga Confeitaria de Belém. Que sacrilégio eu sei!! Já tenho encomenda do marido que é fã incondicional dos pasteiszinhos. E o bacalhau?! Ai meu Deus!! Acredito que estará quente por lá, o tempo em Portugal é bem melhor que aqui.
      Acho que terei que editar o parágrafo inicial para incluir as telenovelas! lolol Como pude esquecê-las?!! Foi uma viagem emocionante, pessoal, cheia de significado para mim. Que cidade linda! Pessoas muito gentis, “boa praça“ como se fala no Brasil. Eu só tenho lembranças óptimas (especialmente para você!!) da sua terrinha querida! Beijinhos e aproveito para desejar-lhe um bom fim de semana :)

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    2. Os pasteis de Belém são de sonho mesmo, mas o simples pastel de nata sem ser o de Belém (são muito parecidos!!!) também é divinal e consegue em qualquer café de Lisboa!! ;) O bacalhau.... nós mesmo em Buenos Aires, continuamos a cozinhar e já convidei / cozinhei para amigos brasileiros cá!! ;) ahahah
      Boas leituras!!:)

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    3. Oh sim! Comemos muitos pasteis de nata! :)

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