Wednesday, 21 September 2016

No fim a culpa foi da galinha

"If you don't like something, change it. If you can't change it, change your attitude. " Maya Angelou.

Ganhamos o controle de algumas coisas e perdemos o controle de outras.

Gratificante, mas irritante.

Um passo a frente ..... e dois passos para trás.

Apenas esse tipo de semana.

Frustrações. Fazer algo para alguém e não ser feliz com a escolha delas, de modo que o melhor e rasgar tudo e começar tudo de novo...

Eu decidi fechar um capítulo da minha vida essa semana. Não foi bem essa semana....mas você já sentiu isso, quando todas as coisas se acumulam e chegam num ponto em que não há mais como ignorar aquilo que você tem ignorado há tempos e você sabe que aquele é o momento e que mesmo que magoe alguém que você ame muito, você tem fazer aquilo e seguir em frente? Eu não sei se posso expressar esse sentimento muito bem, porque é um sentimento que a palavra falada/escrita por vezes não consegue descrever....

Mas acredito que não estou sozinha. A coisa que eu decidi foi terminar uma amizade. Eu sei que a palavra terminar é um pouco estranha se conectada a amizade mas foi isso que eu fiz... as coisas chegaram num ponto que eu já não vi mais a razão para ter aquela pessoa na minha vida. Aquelas pessoas... e apesar de ter me dado um alívio no coração, eu por alguma razão estou me sentindo culpada.

Há uns dois anos que esse relacionamento vem se deteriorando mas eu fechei os olhos para bastante coisa por causa do L. A amizade original era dele.

(ABRE PARÊNTESIS....
Vamos dizer que X é casado com Y e que Y é uma guria insuportável que não faz absolutamente nada para ser legal com ninguém. Toda vez que encontramos X ele reclama da vida terrível que ele tem, diz que vai se separar, reclama e transforma todos os encontros de amigos em conversas sobre Y.

Ate aí tudo bem, agora que a coisa complica...o problema é que X é um cara gente boa mas também é um cara muito covarde, ele reclama de Y mas faz tudo que ela quer, e God forbid ela saber o que se passa quando ela não está presente. Então ainda que para todo mundo X odeie Y , ela esta completamente no escuro porque ele nunca ousou conversar com Y como pessoas normais em relacionamentos fazem. Falar a verdade? Ser honesto, transparente? Oh God no!
....FECHA PARÊNTESIS)

Ok... e foi assim pelos últimos dois anos...  depois de dois anos presenciando bickering, bitching and the annoyance of hanging out com X and Y, eu comuniquei ao L que "I have had enough and I was calling it quits." 

Primeiramente ele não acreditou em mim, até que num encontro de amigos que tivemos há algumas semanas atrs eu disse ao X que os meus pacovás estavam cheios de ouvir aquela ladaínha e que ele deveria procurar um psicólogo para resolver os problemas conjugais dele ou ele deveria guardar aquela porcaria para ele mesmo.

(ABRE PARÊNTESIS....
Para piorar a situação que já era completamente helpless - X disse a anfitriã que Y só come galinha e que se não tivesse galinha ela teria que ir comprar pois Y não comeria nada. A anfitriã que é uma querida, muito cordialmente, disse a ele que trouxesse galinha pois a única criança da casa eram a filha dela e o M e que ela não tinha tempo para mimar uma mulher velha com mais de 30 anos. (APLAUSOS)
....FECHA PARÊNTESIS)

Enquanto a estória da galinha ficou resolvida para a anfitriã...para mim... pushed a bit over the edge. Então eu disse. Estilo barraco europeu, falando baixo, com os I'm sorry but.... tudo muito civilizado.

Claramente X não gostou. Como eu posso ousar falar uma coisa dessas? O favor que é ter a amizade deles?! Fomos para casa, e eu comecei a analisar a situação, eu comecei a me perguntar o que aquela amizade nos trouxe? Nesses anos todos X (e muito menos Y) nunca fizeram questão de participar de nenhuma das nossas vitórias e realizações, nossa casa, nosso filho, o novo trabalho do L, ou meu. E o engraçado é que em todas as vitórias dele nos estávamos lá. Sentados à mesa na casa dele ou num restaurante ouvindo o quão extraordinário é o trabalho dele, etc, etc, etc.... yawn, yawn, yawn....blá blá blá....

Quando eu parei para pensar... aquela desigualdade realmente me magoou. Eu me senti tão pequena e tão sem importância. Que pessoa egoísta essa, eu pensei. Eu comuniquei a minha decisão ao M, que bemused me perguntou: "Are you breaking up with them?"

E eu respondi: Yes.

And that was that. Apesar da decisão ter me feito um bem; eu ainda me sinto um pouco culpada. E egoísta, e triste ao mesmo tempo. Porque eu sei que a minha decisão não irá afetar X or Y em nada, provavelmente eles não vão nem perceber a mudança. E isso me dá tristeza. Ter perdido esse tempo todo pensando nos sentimentos de alguém e sabendo que eles não estão nem aí para os meus.

Mas quando eu penso que eu não terei o desprazer de ter as mesmas conversar, e de ter que absorver aquela negatividade toda. Eu me sinto aliviada. Eu sei e tao contraditório tudo isso...

Mas sabe...eu sou uma pessoa simples. Eu não sou daqueles indivíduos que reparam nas coisas, eu sou o tipo de pessoa que faz esforço para fazer as pessoas se sentirem a vontade. Minha casa é pequena e eu não tenho milhões no banco mas eu moro numa casa feliz com duas pessoas que são felizes comigo. Porque eu tenho que estragar tudo isso para conviver com alguém que só me trás coisas ruins? Que é incapaz de ser feliz por mim? Porque eu tenho que engolir sapo por convenções sociais? Por que?

Enfim... já que eu não posso mudar as coisas então...a única coisa que me resta é mudar a minha atitude a elas... e foi isso que eu fiz. Amém e Saravá.

(ABRE PARÊNTESIS...
Me desculpem por fazer o ouvido de vcs de pinico.
....FECHA PARÊNTESIS)


2 comments:

  1. Conheço bem... esta situação, este "divórcio por afastamento"... Afastei-me de um grupo, por discordarmos em muitos pontos, e por eu evitar a participação em tais discussões e atividades, que no fundo só me magoavam, e me distanciavam de muitas coisas que acredito... Enfim, é o tipo de situação que, quando muito jovens, temos medo, mas chega uma hora em que contamos nos dedos quem definitivamente está ao nosso lado e demonstra esta vontade de permanência. Porque toda ideia de grupo uma hora foge ao controle, e com a idade a gente (finalmente!) passa a ser ranzinza o suficiente pra não perder tempo com pessoas e atitudes cujas consequências são apenas perda... Como diziam os antigos, "de que adianta ganhar o mundo e perder a si mesmo?". Eu super concordo. To cada vez mais antiga nesse sentido rsrs.
    Enfim, força pra ti, moça! E que as pessoas próximas de ti entendam esta decisão <3
    Bjs,
    Rebeca

    ReplyDelete
    Replies
    1. Obrigada, Rebeca que bom saber que não estou sozinha. Uma hora chegamos a um ponto que não há retorno; só de pensar em encontrar aquelas pessoas e me curvar as convenções sociais para ser 4 ou 5 horas infeliz, não dá! Deixar de nos brutalizar dessa maneira é sinal de maturidade tb ( well... Pelo menos é assim que estou encarando as coisas...) beijinhos e obrigada pela visita :)

      Delete

I love comments, they make my day. Let me know you stopped by.